Quando te conheci, você não era ninguém. Ou até era, mas não pra mim. Você me olhou, me analisou e pediu para ver os meus óculos. Eu, no auge de uma ressaca e dor de cabeça não fui nenhum pouco simpático. Não sei ser simpático. Quando eu saí de perto de você, pensei até “vale a pena”. Meu foco era outro. Aliás, meu foco nunca é o que eu imagino que possa ser. Confuso. Passado algumas horas uma mensagem. A mensagem. Até aí quem era você no meio de uma multidão, simplesmente mais um. Mais um mesmo! Sabe aquele “um” que faz a diferença na contagem de uma pontuação para ganhar um prêmio? Sim exatamente esse. No dia seguinte eu já te conhecia, ou foi o que parecia. Como se anos tivessem nos unido, depois nos separados e fosse um reencontro de almas. Não sei se alma gêmea, mas pode ser. Qualquer opção sempre é válida. Muito! Te olhei, você me olhou. Mas foi a mensagem do celular que deu a palavra final, que na verdade foi um ato e não uma palavra, o beijo. Assim nossos lábios se encontraram de uma forma incondicionalmente incompreensível aos olhos dos leigos, aqueles que não entendem o que é paixão. E ali foi, paixão ao primeiro beijo. Suspiro. Fiquei tremulo. Você também e eu percebi muito isso. Aos meus ouvidos eram como se cordas de um violão tocassem fazendo a trilha daquele momento. Assim a noite se estendeu. Carinhos, afagos e cafunés. Toda Cinderela que se prese precisa voltar pra casa antes da meia noite. Acabou! Quem disse que eu dormi, foi impossível. Veio um sonho, que foi algo que ficou na minha cabeça com um pedido de “quero mais”! No dia seguinte os planos eram outros, mas todo plano pode ter um “plano B” e foi assim que novamente nossos lábios se encontraram. De uma forma mais agressiva talvez. Intensa. Aí já havia sentimento. Por isso até certa delicadeza e fala mansa tomou conta do ambiente. Já deixou de ser ‘simplesmente um’ e virou uma paixão comunal, sem freios ou barreiras. Era tarde demais. Alguma semente já havia sido plantada e crescia de forma descontrolada sem ao menos ser adubada ou regada. Nem tudo podemos prever. Houve planos! Sim, aí é sempre a pior parte. Ou não. Na verdade não existe pior, ou melhor, e sim momento. Presente. Toda Cinderela que se prese precisa estar em casa antes da meia noite. Acabou. Em corpo. Mensagens de celular nunca param, manda-se e recebem-se vinte e quatro horas. No dia seguinte não houve bis. Houve certa calma, com apreensão, ansiedade talvez. Um desejo incontrolável. Ligeiro esse desejo. Quero mais... Quero mais... Era quinta. O desejo de uma quarta passiva havia se acumulado e fato que o desejo da quinta havia sido aumentando, por isso até o encontro foi feito mais cedo. Pra superar. Foi uma tarde quase que perfeita. Poderia ter sido melhor se o sentimento tivesse sido contido e não exposto. Susto! Medo! Desafios! Novo! De maneira nada simplória acabou. Na esquina do posto e com chuva alguém desce do carro. Alguém diz: estraguei tudo? O outro responde: Não, só não foi como o previsto. Existe previsão no amor? Se até a previsão do tempo erra, porque do amor não erraria? Passado um ano de tudo isso, ambos, os dois, jamais se viram. Mas o amor existe em pelo menos um deles. Se a história um dia vai terminar, cabe a Deus dizer ou definir esse desfecho. O sentimento existe, acho que nunca deixou de existir. Mas até aí vai vivendo sem que ele atrapalhe o caminho.
"O chocolate do napolitano, do que ele sozinho."
"Sim, o RoqueClub é de Detonautas."
"Temos algo em comum, amamos demais."
"Os legumes estão queimando. Não tem problema, prefiro o seu beijo."
"Eu sempre choro nesse trecho do filme, ele significa muito pra mim."
"Atrás do filho vem o pai, o avô..."
Evoé !
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